Análise do jogo Super Mario World 2: Yoshi’s Island

Análise do jogo Super Mario World 2: Yoshi’s Island

2 de Novembro, 2020 0 Por Markus

Por: Cosmão

Plataformas: Super Nintendo | Game Boy Advance

Há um bom tempo eu estava devendo uma análise desse grande jogo, um jogo que deveria servir de lição pra qualquer design de jogos atualmente. Um jogo em que seu mestre criador pôs à prova toda sua criatividade, tanto em fazer fases cada vez mais interessantes como criar mecânicas de jogo variadas, tudo com o que tinha em mãos. Um jogo genial, resumidamente falando. E esse jogo só pode ser Super Mario World 2: Yoshi’s Island!

Continuar o legado e a fama de Super Mario World não seria tarefa fácil pra ninguém, afinal, o jogo fez um sucesso enorme, criou novos padrões, inseriu uma criatividade enorme no gênero plataforma e se definiu como um grande clássico da década de 90, ao lado de Sonic 2. Superar eu não diria, mas que podemos igualar as coisas, aí sim, Super Mario World 2 pode ser classificado.

Acontece que em Yoshi’s Island, tudo mudou. Desde personagens, história, mapa, gráficos, músicas etc., tudo é novo, fresco e chamativo, principalmente pra um jogador que ama de paixão bons jogos de plataforma, como eu. Eu nunca tive um SNES, como acho que já disse por aqui, e não vivi muito a fama do encanador italiano. Tanto é que Yoshi’s Island eu apenas fui conhecer de fato quando aluguei um SNES com o jogo, o qual me divertiu mais do que meu velho PSX em fim de vida. Verdade seja dita: jogo de plataforma é com os 16 bits.

Bom, em Yoshi’s Island a Nintendo resolveu contar a história de como Mario conheceu Yoshi. Há muitos anos, quando a cegonha estava levando os dois irmãos gêmeos, uma criatura trombou com a ave e derrubou uma delas lá do céu. A outra criança foi levada para as sombras. O bebê que caiu do céu, Mario, foi parar na Ilha dos Yoshis, mais precisamente sobre as costas da pobre criatura, que caminhava em paz. Junto da criança veio um mapa, que mostrava provavelmente o destino que a cegonha pretendia chegar.

Do outro lado da história, Kamek recebia apenas um bebê da criatura que trombou com a cegonha, o Luigi, e ficou muito irritado. Ordenou que todos fossem atrás do outro bebê que tinha caído. Enquanto Yoshi procurava pelos seus colegas pra saber o que fazer com o bebê, as tropas de Kamek reviravam a ilha toda em busca da criança “perdida”. A introdução termina com a frase: “será que os gêmeos um dia vão reencontrar os pais?”.

A história, apesar de simples, se mescla totalmente com o jogo. A missão do jogador é guiar Yoshi por várias fases, tudo com Mario no seu lombo, e não pode de jeito nenhum deixar que o bebê se solte. Para isso várias mecânicas e coisas são introduzidas na jogabilidade, o que veremos agora.

A pequena e caprichada historinha de Yoshi’s Island.

Sendo um jogo de plataforma, Yoshi’s Island tem progressão lateral e vertical, com alguma profundidade de cenário. É certo que, em alguns momentos, controlamos coisas no fundo do cenário, mas é algo bem básico e simples, apesar de genial. Yoshi salta e usa sua língua basicamente como arma. Com o “poder” do dinossaurinho de engolir inimigos e coisas, ele pode transformar tudo em ovo e arremessar de volta em inimigos ou fazer rebater em paredes. E, podem apostar, 100% do jogo envolve essa jogabilidade diferente criada por Miyamoto.

Uma flor logo na primeira fase e tentando acertar um inimigo que carrega uma nuvem com uma interrogação.

O jogo também tem um mapinha, mas linear, mostrando apenas as fases de cada mundo. À cada 4 fases, um castelo deve ser enfrentado, com um chefe no final. Então temos 2 castelos e 2 chefes por mundo, sendo que são 6 mundos diferentes para serem explorados.

O mapinha de Yoshi’s Island, do primeiro mundo com as fases 100% e as outras restantes em “?”.

A primeira coisa que chama a atenção no jogo é o estilo gráfico adotado. Parecendo um caderno de criança, todo desenhado com lápis de cor, traços grossos e giz de cera por todo lado, o jogo transpira criatividade até no desenho de nuvens, montanhas e simples folhagens. As cores empregadas dão o tom final, como em fases noturnas, ao por do sol ou dentro de castelos, onde alguns efeitos em 3D são simulados, como estantes caindo, plataformas girando, etc. Yoshi’s Island é um colírio pros dias atuais, cheios de polígonos e texturas por todo canto. O chip Super FX2 realmente fez milagres aqui.

Um dos efeitos bacanas do jogo e o primeiro chefe “agigantado”.

Outro ponto de principal destaque é o som do jogo, em geral. As músicas são excelentes, criativas e cativantes desde a primeira ouvida. Todos os temas, desde o principal, passando por castelos, pântanos, regiões geladas, bônus e chefes, tudo muito bem feito, caprichado e grudento feito chiclete. Os efeitos sonoros também são ótimos, apesar de poucos. O choro do Mario é o grande destaque, assim como a voz simulada de Kamek.

O salto de Yoshi também pode ser esticado para se alcançar plataformas mais distantes. O botão de correr, clássico nos jogos mais velhos, foi extinguido, mas não faz a menor falta mesmo. Se precisar de algum salto maior, basta pisar em algum inimigo e fazer Yoshi “pedalar no ar”, segurando o botão de pulo. Yoshi ainda pode dar um pisão ao se apertar pra baixo durante o salto, útil pra quebrar pisos frágeis, afundar estacas e destruir caixas.

Uma das fases, onde a tela anda sozinha, te obriga a pensar rápido pra não perder itens
já em outra, o melhor é ir devagar pra não esbarrar nos inimigos, pois tudo está na maior escuridão.

Yoshi pode juntar 6 ovos como armas. Se engolir mais inimigos e transformá-los, serão descartados. Inimigos ainda podem ser engolidos e cuspidos, acertando qualquer coisa pelo chão. Yoshi pode encontrar ovos em caixas também, podendo juntar os 6 de uma só vez. Antes de atirar, é mostrada uma mira que sobe e desce, permitindo que o jogador arremesse o ovo em qualquer lugar do cenário, em ambos os lados, inclusive no ar. Isso abre algumas possibilidades de se acertar inimigos de longe, fazer o ovo rebater até subir por uma parede vertical, acertar nuvens de itens, quebrar blocos rachados, etc.

Bloquinhos rachados no teto? use e abuse dos ovos para descobrir passagens secretas.

Atirar ovos ainda serve para pegar moedas distantes, flores distantes e até para fazer Mario descer quando se soltar de Yoshi. Mais adiante no jogo são encontrados ainda ovos amarelos e vermelhos, eficientes por rebaterem por mais tempo em paredes, dando algumas vantagens como moedas comuns ou estrelas. O ovo brilhante é raríssimo e dá uma moeda vermelha quando acerta um inimigo.

Como eu tinha dito, Mario não pode em hipótese alguma sair das costas de Yoshi. Caso o jogador encoste em algum inimigo, Mario vai se soltar e sair voando em uma bolha de ar, sendo preciso sair correndo atrás dele enquanto uma contagem de 30 segundos começa a decrescer. Se chegar ao zero, os ajudantes de Kamek surgem em bando e levam Mario embora, tirando uma vida do jogador. Esse sistema impede muitas mortes, mas pode irritar o jogador também, visto que o choro de Mario é bastante irritante e às vezes ele voa bem longe. Assim que recapturar Mario, a contagem para e os segundos perdidos podem ser repostos com estrelinhas encontradas em nuvens ou em flores pelo cenário. Fazer ovos rebaterem antes de acertarem inimigos também garante algumas estrelas para repor o tempo.

Além disso, alguns itens podem ser acumulados em cada fase, sempre em um número fixo. São 20 moedas vermelhas, que valem 20 pontos e flores, que valem 50 pontos no total. Para fazer 100% em uma fase, é preciso coletar tudo isso e passar com os 30 segundos inteiros, que equivalem à 30 pontos, totalizando 100 pontos no final. 100% em todas as fases de um mundo garantem uma fase bônus e uma fase extra, bem mais difícil. Para saber se falta alguma coisa a ser coletada, basta pausar o jogo e as informação são mostradas ao jogador. As flores coletadas ainda influenciam no final da fase, onde uma espécie de roleta pode lhe dar a chance de participar de algum bônus, ganhando itens e vidas.

Falando em bônus, eles são vários e até mesmo constantes. Muitos estão escondidos em portas trancadas, onde é preciso achar alguma chave, outros estão em lugares onde somente apertando o botão “!” é possível achar e outros no final de fases, como já mencionei. Alguns são simples, como achar figuras pares, outros requerem atenção e rapidez para digitar os comandos certos antes de uma bolha estourar, outros você precisa destruir algum inimigo antes que ele o faça, etc… Todos dão itens, que podem ser usados no menu pause. Alguns itens dão armas novas pro Yoshi, como cuspir fogo, gelo ou sementes, dependendo da cor da melancia. Alguns itens dão estrelas (item excelente pra ser usado em finais de fase), fazem aparecer alguma nuvem “?“, te enchem de ovos, etc.

Dois tipos de bônus distintos: na esquerda, uma típica tela secreta encontrada com o “!”
à direita, um bônus mais tradicional de pegar itens sem achar o Kamek.

Sim, os famosos blocos “?” foram substituídos por nuvens “?”, mas tem basicamente a mesma utilidade. Como Yoshi não sai dando cabeçadas nos inimigos, para estourar as nuvens é preciso arremessar um ovo nelas. O conteúdo varia, desde moedas e estrelas até ativação de algum mecanismo na fases, formação de escadas, etc. Botões com um “!” geralmente abrem alguma passagem secreta escondida quando pisados, obrigando o jogador a ser rápido se quiser acessá-la.

Usando ovos pra pegar moedas e subindo em uma pedra móvel.

As fases ainda possuem um marcador, similar ao postinho do Sonic ou à barrinha do Mario, só que aqui no caso ele aumenta pra 25 o total de estrelas e todo inimigo que estiver por perto se transforma em estrela também. Desnecessário dizer o quanto isso é útil em alguns momentos.

Em algumas fases é possível achar alguns itens que transformam Yoshi em algum veículo, como um helicóptero, um escavador, um trem, etc. Essas etapas parecem bônus, mas fazem parte das fases, tendo até mesmo itens importantes espalhados por elas. Tudo isso tem um tempo de uso, fazendo com que Yoshi volte à sua forma original em alguns segundos. Outra “transformação” no jogo ocorre quando encontramos uma pequena estrela no chão, geralmente pulando. Ao tocá-la, Mario desce das costas do Yoshi e podemos controlá-lo por uma determinada parte, geralmente para coletar moedas e itens, tudo muito rapidamente, pois o tempo é mais escasso ainda.

Duas das transformações de Yoshi: helicóptero e escavador
notem que alguns itens essenciais dependem das transformações para serem alcançados.

Os chefes são um caso à parte: a maioria deles são inimigos comuns, aumentados com o poder de Kamek, que faz questão de aparecer em todos eles para transformá-los. Então espere por um Boo gigante, uma tartaruga gigante entre tantos outros inimigos clássicos (faltou um Goomba gigante). Todos tem seus ataques próprios bem como formas diferentes de serem derrotados, um mais bacana que o outro.

Um dos raros momentos onde controlamos Mario bebê e o cachorro Poochy
personagem dos jogos exclusivos do Yoshi, que faz uma pontinha aqui de grande ajuda.

No final das contas, Yoshi’s Island é um grande jogo muito injustiçado, pois saiu praticamente no fim da vida do SNES. Atualmente ele é mais conhecido por conta de emuladores (até hacks existem, com novas fases etc.), mas na época pouca gente sequer jogou. Um jogo desse calibre não merece ser esquecido e tem todo o direito de ser chamado de Super Mario World 2. Com tantos segredos, fases com um design invejável, mecânicas variadas em várias situações, músicas e gráficos excelentes, eu diria que é um caso raro onde achar um defeito sequer fica impossível.

Resumão:
+ gráficos de ponta
+ engenhosidade das fases;
+ músicas viciantes;
+ um jogo abarrotado de segredos;

Final Score: 10