Análise do jogo Taxi Chaos

Análise do jogo Taxi Chaos

19 de Março, 2021 0 Por Markus
Ficha do jogo:
Plataformas: Nintendo Switch, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series X | S
Gênero: Corrida, Plataforma, Ação, Arcade.
Data de lançamento: 23 de fevereiro de 2021
Publicado por: Lion Castle Entertainment, GS2 Games Inc., Orange One.
Número de jogadores: 1 jogador.
Idiomas: Alemão, Chinês, Coreano, Espanhol, Francês, Holandês, Inglês, Italiano, Japonês, Português, Russo.

Avaliação
Gráficos: 8.0
Diversão: 9.0
Jogabilidade: 7.0
Som: 6.0
NOTA FINAL: 7.5

Em 1999 a Sega lançou Crazy Taxi para os Arcades (Placa Naomi) e logo em seguida o jogo surgiu para o console Dreamcast; um jogo inovador que rapidamente se tornou um grande sucesso e, consequentemente um clássico da Sega (em 31 de março de 2001 a Sega descontinuou a fabricação do Dreamcast e se dedicou apenas a produção de jogos para plataformas de outras empresas, assim, Crazy Taxi foi lançado para os consoles da Nintendo, Microsoft -Xbox- e Sony -Playstation-). Sucesso de crítica e de público em todas as plataformas que passou, Crazy Taxi encantou a comunidade gamer com um tipo de jogo absurdamente simples e viciante, ambientado em uma enorme cidade (fictícia, mas baseada na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos) que brotava vida por todos os lados, com ambientes urbanos muito bem feitos, trânsito apresentando áreas com tráfego mais pesado, e passageiros por todos os lados, tudo isso atrelado a uma trilha sonora ótima, que incluía músicas das bandas The Offspring e Bad Religion (Confira a nossa análise do jogo Crazy Taxi clicando aqui!). A Sega fez algumas continuações para o jogo, umas boas (Crazy Taxi 2 e Crazy Taxi 3) e outras nem tanto (algumas versões que surgiram para celular), sendo que, os últimos títulos lançados podem ser considerados meros spin offs da série.

Pois bem, eis que em fevereiro de 2021 é lançado um jogo (para Nintendo Switch, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One e Xbox Series X | S) com a proposta de ser um sucessor espiritual do jogo Crazy Taxi da Sega. Taxi Chaos é descrito como “uma versão nova e moderna dos jogos clássicos de táxi em que os motoristas podem ganhar grandes tarifas pegando e levando seus clientes ao destino de escolha”.

As semelhanças entre o Taxi Chaos e o Crazy Taxi realmente são gritantes, pois tudo nesse novo jogo lembra o clássico jogo da Sega, inclusive os carros de táxi serem todos conversíveis, e isso deixa uma pergunta no ar: O fato de Taxi Chaos lembrar Crazy Taxi em tudo seria um ponto negativo? A resposta é: Absolutamente, não. Taxi Chaos ser semelhante ao Crazy Taxi é juntamente o ponto mais positivo desse novo jogo!

A mecânica de Taxi Chaos é bem simples, na verdade tudo no jogo é simples e intuitivo, além de ser extremamente familiar para qualquer pessoa que já tenha jogado algum game da série Crazy Taxi. O básico sobre o jogo é o seguinte: Você irá dirigir pela cidade de “New Yellow City” (uma cidade enorme, por sinal), e procurar os passageiros para o seu táxi (as pessoas que estão interessadas nos seus serviços de taxista estão marcadas com um círculo azul. Não se preocupe, pois existem pretensos passageiros espalhados por toda a cidade). Após pegar um passageiro, você deve leva-lo ao destino o mais rápido possível, e se você fizer acrobacias ou dirigir alucinadamente irá ganhar gorjetas extra, além de ganhar um tempinho de jogo extra. Quanto mais rápido você for, ganhará mais dinheiro e mais tempo.

Você irá escolher entre dois personagens, Vinny ou Cleo, depois escolherá o seu táxi (inicialmente você só terá a opção de escolher um carro, mas, conforme você for completando missões e cumprindo os objetivos estabelecidos, você conseguirá destravar novos veículos. Cada veículo possui características próprias, que podem variar conforme os seguintes requisitos: velocidade, aceleração, frenagem, peso e impulso).

MODOS DE JOGO

Taxi Chaos possui três modos de jogo: Arcade, Modo Profissional e Percurso Livre. Além disso, na tela principal do game, você poderá ainda conferir as suas conquistas, as opções de jogo e o placar do game.

O modo principal de Taxi Chaos é o modo Arcade, nele você terá, inicialmente, 90 segundos para dirigir pela cidade de “New Yellow City” (uma cidade fictícia baseada na cidade de Nova York, a capital mundial dos táxis. Aliás, a cidade de Nova York foi intencionalmente escolhida para servir como inspiração para a cidade do jogo em virtude da sua fama. Os produtores do jogo ainda se preocuparam em adicionar pontos de referência, assemelhados com locais reais da cidade de Nova York, para que os jogadores tivessem maior facilidade em aprender as rotas do jogo. Os jogadores poderão visitar o Freedom Park, a Aeonian Square, o Memorial Park e muitos outros lugares), e levar os passageiros que encontrar para os seus respectivos destinos o mais rápido possível; lembrando que, a cada acrobacia, saltos ou riscos que você correr e/ou causar pelo caminho, os seus passageiros irão adorar e te dar mais gorjetas.

Você pegará vários tipos de passageiros e poderá encontrar algumas missões, pois alguns passageiros são especiais e a partir deles você conseguirá coletar itens secretos escondidos por toda a cidade. Os passageiros especiais estão espalhados e misturados entre os passageiros comuns, quando um deles entrar no seu carro você irá perceber que ele é especial porque terá uma conversa diferente e lhe entregará alguma missão, como entregar ou coletar alguma coisa em um determinado local; além disso, durante o jogo você poderá perceber o medidor de combos, que ficará mostrando as suas façanhas, como por exemplo, encontrar atalhos, pulos, impulsos, altas velocidades, passar raspando nos carros etc. Tenha cuidado para não bater com o seu carro, pois isso faz perder os seus pontos acumulados.

O modo Profissional também se passa na cidade de New Yellow City, e apresenta o mesmo objetivo que você encontrou no modo Arcade, a única diferença aqui é que não existe a setinha de indicação do destino, que aparece na parte superior da tela, quando você está no modo Arcade; também não aparece a distância do destino e nem o GPS. Apenas aparecerá um indicativo do local quando o passageiro entrar no carro e você terá que saber encontrar esse local, sem receber ajuda, o que torna o modo Profissional extremamente difícil e recomendado apenas para os jogadores que já tenham mais experiência no jogo, ou seja, várias horas jogadas no nodo Arcade ou no Percurso Livre, para que você já tenha conseguido memorizar um pouco do mapa da cidade.

O terceiro modo é o Percurso Livre, que permite você dirigir pela cidade sem ter que se preocupar com o tempo, pois aqui não há cronometro. É o modo ideal para as pessoas que querem conhecer a cidade ambientada no jogo ou ter um momento de descontração, pegando alguns passageiros de maneira mais livre, ou ainda, simplesmente, se você quiser passar um tempinho dirigindo de maneira livro por New Yellow City. Particularmente, eu (o autor dessa análise) adoro ficar dirigindo pela cidade sem destino e sem me preocupar com o tempo. É um passatempo ótimo e descontraído. Eu fazia muito isso com os jogos “Crazy Taxi” e “Super Runabout”, na feliz época em que eu era proprietário de um Sega Dreamcast; e agora – felizmente – posso fazer o mesmo no meu Nintendo Switch, com o jogo Taxi Chaos).

JOGABILIDADE

A jogabilidade de Taxi Chaos é muito simples, e devemos sempre levar em conta que esse não é um jogo simulador de corrida, é um jogo que foca fortemente no estilo arcade, portanto, não espere que o jogo tenha qualquer tipo de compromisso com a realidade e nem respeito às noções de física. Você conseguirá derrubar postes e tudo mais com o seu carro (por algum motivo a produtora do jogo manteve as árvores extremamente fortes, deve ser para enfatizar a necessidade de preservação ambiental, pois você conseguirá passar por cima de quase tudo que existe nesse jogo, mas se você bater em uma árvore em alta velocidade, vai ser um choque grande e você perderá bastante tempo).

Os controles do jogo também são bastante simplificados: temos um botão para acelerar o veículo, um botão para frear e dar marcha à ré e um botão de pulo; sim, isso mesmo, há um botão para fazer o seu carro pular, e isso é muito útil, da mesma forma como acontecia em Crazy Taxi 2 (não existia nenhum botão que permitisse colocar o carro para pular no primeiro Crazy Taxi). Utilizando o pulo, você conseguirá cortar caminho e encontrar passagens e itens secretos no jogo; e, acredite, você encontrará passageiros em cima de prédios e tudo mais!

Quando você der a partida no seu carro, você poderá pegar um impulso, e, inclusive o impulso gera combos extras. Para fazer o impulso basta apertar simultaneamente os botões que fazem o seu carro acelerar e frear (não citaremos quais são os botões, pois o jogo está disponível para todos os atuais consoles de videogames, e, portanto, cada controle apresenta botões diferentes; embora isso, o jogo é – frise-se – exatamente o mesmo em todos os consoles).

O jogo passou por uma atualização logo após o lançamento, o que fez com que algumas coisas fossem implementadas, como o tráfego de carros e a quantidade de pedestres. Foram adicionados mais carros e alguns locais da cidade possuem um trânsito mais intenso e mais pessoas na rua do que outros locais, assim como acontece em qualquer cidade da vida real. Isso foi realmente um toque muito legal dado ao jogo, pois faz com que fique mais divertido.

Existem carros e pedestres para todos os lados, na verdade há uma cidade inteira em que você pode interagir com praticamente tudo. Caixas de correio, postes, semáforos, suportes para bicicletas, hidrantes, placas de trânsito e de publicidades, além de, claro, outros carros que estiverem pela pista, tudo e mais um pouco do que possa ser encontrado em uma cidade estará lá e você poderá interagir (passando por cima ou derrubando, por exemplo… risos), inclusive os pedestres que estão nas calçadas, se você colocar o carro para cima deles eles irão saltar, pular ou desviar para fugir do seu carro. Nesse ponto, senti falta dos gritos desesperados que os pedestres faziam em Crazi Taxi, quando tentavam fugir do seu carro, mas Taxi Chaos até que também tem algum charme, nesse sentido.

Em que pese isso, o gameplay do jogo se mostra diferente: no início do jogo você se diverte bastante com Taxi Chaos, mas passadas algumas horas, quando você já tiver conseguido desbloquear todos os carros, você acabará achando um pouco enfadonho, pois tudo parece ficar muito repetitivo, inclusive as conversas dos passageiros. Falando nos passageiros, você deve ficar atento, pois são eles que fazem liberar algumas missões, o que acaba dificultando um pouco, pois você não sabe bem quando irá conseguir pegar o passageiro especial, que lhe permitirá cumprir alguma missão. Uma situação que ainda faz permanecer a sua vontade de continuar jogando e evoluir em Taxi Chaos é a sua -possível- vontade de fazer crescer a pontuação na classificação online do jogo – Isso realmente dá um certo teor de competitividade no game.

Existem alguns pequenos bugs no jogo, como um carro aparecer do nada, ou saltar do nada, ou o carro ficar preso no chão após um pulo, ou pequenas quebras de tela, mas nada muito grave ou corriqueiro. Na verdade, após horas de jogatina presenciamos pouquíssimas situações que chamassem a atenção. Nada que não possa ser resolvido com pequenos ajustes.  

Outra situação – que, embora não seja uma falha do jogo – mas nós sentimos muita falta e queríamos que existisse em Taxi Chaos é um modo de jogo similar ao Crazy Box (que existia no jogo Crazy Taxi, original da Sega); era um modo que tinha alguns mini games super divertidos e que, ainda por cima, serviam de treino para prática de manobras que poderiam ser realizadas no modo principal do jogo. Poxa, era muito legal cumprir os mini games do Crazy Box em Crazy Taxi. Eu (o autor dessa análise), quando tinha o meu Crazy Taxi no Sega Dreamcast, passava horas fazendo e repetindo cada um dos mini games, e seria muito divertido se também existisse essa opção em Taxi Chaos.

GRÁFICOS

Os gráficos de Taxi Chaos são bonitos e vibrantes, e o jogo, no geral, corre em um ritmo constante e estável, não verificamos lentidão de cena (que as vezes acontecem em jogos de corrida ou jogos muito rápidos) e também não há construção de cenários visíveis aos olhos do jogador (isso é muito chato e era um problema constante no jogo da Sega que inspirou o Taxi Chaos, mas também devemos levar em conta que Crazy Taxi foi um jogo lançado em 1999… graças a Deus são poucos jogos que ainda apresentam aquela falha nos dias atuais).

Taxi Chaos parece um desenho animado em terceira dimensão, os gráficos do game são bem no estilo cartunesco e isso é legal, combina com o game. Os gráficos poderiam ser melhores? Sim poderiam, até os gráficos do primeiro Crazy Taxi eram mais lapidados, mas o que vemos nesse game aqui funciona bem e dá para o gasto. O nível de detalhamento dos carros, itens, pedestres, objetos, prédios, parques e tudo mais é bem legal, na realidade o visual do jogo como um todo transmite uma boa sensação e uma ótima experiência.

SOM

O som do jogo e principalmente as músicas do jogo deixam uma sensação de que algo pode ser melhorado e até dão um tom um pouco de morgação. Não vamos esquecer que esse é um jogo indie, e que seria realmente muito difícil uma empresa nova e pequena já conseguir licenciar músicas de grandes bandas, como a Sega fez em Crazy Taxi, ao colocar as músicas de The Offspring e Bad Religion na trilha sonora; mas as músicas de Taxi Chaos são todas instrumentais, e o jogo poderia ter um pouco mais de personalidade nesse quesito.

Os efeitos sonoros também poderiam ter recebido um pouquinho mais de cuidado, pois, embora existam conversas faladas entre o motorista e os passageiros, inclusive algumas piadas entre eles (e isso é um aspecto muito positivo), o jogo poderia ter mais tipos diferentes de diálogos entre os passageiros (as vezes as conversas ficam repetitivas, pois por vezes verificamos conversas iguais, mesmo com passageiros diferentes, até mesmo as piadas acabam ficando sem graça, pois são constantemente repetidas – as mesmas, várias vezes); além disso, alguns sons adicionais poderiam ter sido adicionados, como por exemplo os gritos de desespero dos pedestres que estavam na iminência de ser atropelados em Crazy Taxi.

CONCLUSÃO

Taxi Chaos é um jogo casual divertido e atraente, conta com uma cidade enorme e completa, cheia de cores, coisas, pessoas, carros e vários outros itens. Os gráficos são legais e cumprem bem o papel. O som do jogo é um pouco fraco e deixa uma sensação de que está faltando “algo” no jogo; embora que tenha havido uma atualização no jogo, que adicionou músicas de pop rock, instrumentais que deram um tom melhor ao conjunto. Existem três modos de jogo, porém todos os três são baseados no mesmo cenário (a cidade de New Yellow City), o que acaba fazendo que o jogo tenha um fator de repetição (vontade de continuar jogando por muito tempo) limitado. Em que pese isso, o fato de o jogo ter um sistema de pontuações online, que mostra a classificação de várias pessoas, confere um certo teor de competitividade ao game; mas seria muito interessante que houvesse no jogo um modo especial, cheio de mini games, como acontecia em Crazy Taxi (o jogo da Sega que serviu de inspiração para a criação de Taxi Chaos), além de mais missões que não dependessem necessariamente de você conseguir pegar passageiros especiais que estão distribuídos de maneira aleatória no jogo.

Em resumo, Taxi Chaos não é um jogo ruim, é um jogo bom, e, frise-se que, mesmo sendo um jogo indie, tem qualidade suficiente para ser comparado à muitos títulos lançados pelas grandes produtoras; mas é um jogo que decepciona por trazer consigo uma grande expectativa, em virtude de ter havido a promessa de esse jogo ser “um sucessor espiritual de Crazy Taxi”; e, em verdade, os atributos de Taxi Chaos não são suficientes para igualar esse game ao clássico lançado pela Sega (Crazy Taxi).

Taxi Chaos é um jogo casual, divertido, bonito e atraente, porém por um tempo limitado, pois em algumas horas o jogo já terá entregue todos os seus desafios aos jogadores, ou seja, o jogo não oferece um fator de replay que empolgue o jogador por vários dias, falta ter algum desafio maior (além de bater a pontuação da classificação online) para que o jogador sinta a necessidade de buscar o jogo, mesmo após já ter o jogado por algumas horas; além disso, o jogo merecia ter um pouco mais de personalidade para ser mais marcante e conseguir se tornar um título obrigatório para os consoles em que o jogo foi lançado; e, por mais que o jogo não se iguale ao clássico jogo da Sega (Crazy Taxi), Taxi Chaos tem a grande virtude de ter motivado o renascimento desse maravilhoso estilo de jogo, que já estava adormecido há alguns anos (assim como a Sega como um todo, que já está dormindo há anos, sem lançar nenhum jogo de verdadeiro sucesso), e merece receber atualizações para ficar melhor, além de uma continuação, no futuro.

Esse jogo é muito parecido com Crazy Taxi, mas definitivamente não se iguala a Crazy Taxi;apesar disso, os fãs dos jogos da série Crazy Taxi com certeza irão gostar de dar uma jogada em Taxi Chaos e relembrar os momentos de felicidade que tiveram jogando o clássica da Sega, na época que a Sega era outra…

Essa análise foi produzida a partir de uma cópia do jogo cedida pela Lion Castle Entertainment.