Análise de Star Wars Jedi: Fallen Order –  A Redenção da EA e Uma Nova Jornada Começa

Análise de Star Wars Jedi: Fallen Order – A Redenção da EA e Uma Nova Jornada Começa

25 de Setembro, 2021 2 Por MrSuperFanMr

Ficha do Jogo:
Lançamento: 10 de novembro de 2019.
Gênero: Ação e Aventura, RPG e Souls-Like.
Desenvolvedores: Respawn Entertainment.
Publicadora: Electronic Arts (EA).
Plataformas: Xbox One, Playstation 4 e PC – Computador (Microsoft Windows).
Tempo de Jogo: 17 a 30 horas (caso tente os 100%).

Classificação Indicativa: +16.

Apresentação Inicial

Star Wars Jedi: Fallen Order é resultado dos problemas causados pelos jogos da série desenvolvidos pela Electronic Arts. Desde que a EA ficou responsável pelo desenvolvimento de Star Wars, tudo que víamos eram adiamentos, cancelamentos de jogos novos, fechamentos de estúdios e o pior de todos, as microtransações. Os jogos se tornaram jogos de azar e não chegava nem aos pés dos clássicos de Star Wars que tínhamos no PS2…Até que houve uma mudança.

A EA escolheu um ótimo estúdio para dar conta de Jedi Fallen Order, porém, um estúdio acostumado em fazer FPS (First-Person Shooter), como Titanfall e Apex Legends. Uma empresa acostumada em fazer FPS conseguiria fazer um RPG souls-like? Bom, tudo parecia dizer que não, mas conseguiram. A Respawn Entertainment conseguiu realizar um grande feito e transformou os “caça-níqueis” da EA em um ótimo jogo. Será uma reviravolta da saga nas mãos da EA? Eu espero que sim, porque tem muito potencial.

*O game foi jogado e finalizado no PC e todas as screenshots foram tiradas durante o gameplay.

Enredo

O enredo se passa após os eventos do Episódio III – A Vingança dos Sith. Assumimos Cal Kestis (interpretado pelo ator Cameron Monaghan), um jovem Padawan, ou melhor, um Jedi. Cal trabalha como sucateiro, junto com seu amigo Prauf, fazendo manutenção em naves no planeta Bracca, onde se esconde do Império Galáctico.

Prauf.
Cal Kestis.

Após um acidente em uma missão com Prauf, para salvar o amigo da morte, Cal acaba usando a força e pede para Prauf guardar o segredo sobre o fato de ser um Jedi. Quando eles pegam um trem para voltar para a base, Cal tem um sonho com seu mestre Jedi, que diz para confiar na força. Ao acordar, Stormtroopers abordam o trem e todos os tripulantes saem. Uma revista será realizada e a responsável é a Segunda Irmã.

Segunda Irmã é uma inquisidora do Império que caça os Jedi sobreviventes (No estilo ditadura mesmo). Tudo ocorre após a manifestação da força de Cal.Cal acaba batalhando contra ela e, um pouco antes de ser derrotado, é salvo pela ex-Cavaleira Jedi, Cere Junda e o seu parceiro, piloto da nave (Mantis), Greez Dritus. O “reforço” apareceu devido à uma interceptação que fizeram do Império e os seguiram até a localização de Cal.

Segunda Irmã.
Greez.

Agora Cal precisa reerguer a ordem Jedi, já que é a última esperança da ordem (clichê? clichê, mas digno do enredo dos filmes da saga). Cere precisará da ajuda de Cal na utilização da força, já que ela não tem mais a conexão com a força e terão que explorar diversos planetas para vencer essa batalha contra o Império.

Cere Junda.

Como o Jogo Funciona?

A primeira impressão que o jogo passa (ou pelo menos me passou) é que seria semelhante à God Of War, seguindo uma linha mais hack ‘n’ slash. No entanto, o game funciona como uma mistura de Dark Souls, pelo estilo de combate (rolar, atacar e a dificuldade) e nas lutas contra chefes, alguns elementos de Tomb Raider (andar nas paredes, escalar, saltos diferenciados e tumbas), o próprio Star Wars: The Force Unleashed (uso da força, rebotes de tiros com o sabre de luz e física do personagem) e alguns acréscimos próprios do game.

Apesar de ser uma mistura de elementos de diversos games, é uma mistura que combina e funciona bem. Foi um feito e tanto para a Respawn/EA realizar algo assim. É tudo muito bem organizado e gostoso de jogar. Totalmente adaptado para o universo de Star Wars e simplesmente uma das melhores e maiores imersões que já tive dentro de um jogo da saga. Vale lembrar que o jogo não é hack ‘n’ slash, então não vai sair batendo em tudo achando que vai funcionar.

Os elementos de RPG funcionam muito bem e são ótimos. Ao chegar em determinado local, não terá acesso à tudo logo de cara. Terá que ir evoluindo o Cal para poder ter habilidades e força (literalmente também) para batalhar contra certos inimigos. Também existem as “fogueiras” de Dark Souls espalhadas pelo mapa e que contribuem para o fator RPG.

Jogabilidade

A Respawn caprichou nesse quesito. O personagem é bem leve e ágil. Responde bem aos comandos e a câmera não atrapalha na hora de rolar ou realizar movimentos que exijam maior visão. Os movimentos com sabre de luz são bem fluídos e não travam. Pode ocorrer de o Cal não conseguir defender corretamente, mas não chega a atrapalhar (na maioria das vezes).

Cal confuso.
Lanterna verde de sabre de luz.

O sabre de luz tem sua própria camada de habilidades. Tanto na árvore de habilidades quanto durante o gameplay. Serve para atacar, se defender, rebater ataques de inimigos e ainda utilizar de lanterna para iluminar locais mais escuros. Após derrotar o último inimigo, pode ocorrer uma finalização ao estilo Batman que fica sensacional durante as batalhas (mas quase sempre são as mesmas).

Caminhando com a máquina.

Mapa e Exploração

Como o game não possui um HUD poluído, o mapa não fica presente na tela e para podermos nos localizar teremos que abri-lo constantemente. Por se tratar de um mapa holográfico, o tempo não para enquanto estamos com ele aberto. Não é muito simples de se localizar, mas dá para acostumar com o estilo (o que faz sentido se tratando de Star Wars).

Por mais que seja possível visualizar diversas partes do mapa logo no começo, teremos acesso à poucos lugares. Muitas partes do mapa só podem ser acessadas com uma habilidade específica, o que acontecerá com o avanço do enredo. Pode parecer algo chato de se fazer, mas o game possui um fator exploração muito alto, o que possibilita ao jogador mergulhar dentro do universo que o game traz e descobrir novos caminhos, atalhos, itens secretos e diversos colecionáveis.

Apesar de não ser um mundo aberto, é bem rico em detalhes a ponto de passar a sensação de ser bem maior do que realmente é. Um trabalho muito bem feito por parte dos designers dos cenários e que, sem dúvidas, é digno da saga. Cada canto que você explore vai dar uma sensação de que tem algo a mais por lá, seja fauna ou flora, colecionáveis ou simplesmente uma nova forma de voltar para a Mantis.

Meditação

Encontraremos diversos pontos para meditação ao explorar o mapa. Eles funcionam como as fogueiras de Dark Souls e podemos fazer upgrades em Cal, restaurar energia (os inimigos do mapa também ressurgem) e salvar. São vários espalhados e, na grande maioria das vezes, você os encontrará rumo ao objetivo principal.

Ponto de meditação.

Dica: Sempre que encontrar algum ponto de meditação, medite. Caso morra durante o combate, retornará no último ponto de meditação.

BD-1.

BD-1

Como já é uma prática comum na saga, Cal terá seu próprio robozinho companheiro. BD-1 não é só um robô fofo, mas também é extremamente útil durante o jogo. Ao matar inimigos de um tipo pela primeira vez, BD-1 pode escaneá-lo e revelar mais sobre ele e seu estilo de combate. Além de hackear equipamentos, escanear pontos de interesse, dar estimulantes (o kit médico do game) e até conversar com Cal. Uma excelente companhia.

Mantis

A Mantis será a nossa nave. Será utilizada para viajar entre planetas, meditar, customizar nosso sabre de luz e plantar sementes que poderão ser encontradas e escaneadas pelo BD-1 em solos novos (explorando os planetas). Também podemos customizar a aparência da nave no menu de customização. É um local agradável, mas não passaremos muito tempo nela, apenas o necessário para seguir a jornada em novos planetas.

Mantis aterrissando em um novo planeta.
Interior da Mantis.

Árvore de Habilidades

A árvore de habilidades pode ser encontrada nos pontos de meditação. Conforme derrotamos inimigos, ganhamos XP para recebermos pontos de habilidades. As habilidades são divididas em três categorias:

  • Força: Habilidades que potencializam o uso da força (aumentar o tempo de “congelamento” do tempo com a força, por exemplo).
  • Sabre de Luz: Melhores movimentos, maiores combos, esquivas melhores enquanto batalha e melhora os ataques.
  • Sobrevivência: Melhora os atributos do personagem (melhor resistência).
A árvore de habilidades.

Ambientação

Não há como negar que a ambientação contribui essencialmente para melhor imersão em um game e Jedi Fallen Order sabe exatamente o que está fazendo nesse quesito. Cada planeta possui seus animais, sua vegetação, suas rochas, montanhas, naves abandonadas, cavernas e tumbas. É de um capricho de brilhar os olhos. O clima, a chuva, a neve, tudo muito bem feito. O barro na roupa do personagem, pingos de chuva nas poças de água, tudo muito detalhado e bem trabalhado.

Podemos explorar cavernas com diversos caminhos. As tumbas funcionam como em Tomb Raider, mas menos sofisticadas que as que Lara Croft costuma visitar. Existem alguns quebra-cabeças nessas tumbas que podem ser um pouco trabalhosos, mas que surpreendem para um game de Star Wars e como faz parte da exploração, não deixe de aproveitar as belas vistas.

Montanhas e neve.
Destroços de uma nave.

Sabre de Luz

Assim como todo engenheiro precisa de um capacete de proteção para as obras, um Jedi precisa de seu sabre de luz para salvar a ordem. Nosso sabre de luz é o que mais vamos usar durante o gameplay e poder customizá-lo é quase que um requisito obrigatório em um game de Star Wars. Encontraremos bancadas para poder aprimorar nosso sabre, desde a cor até o tipo de material que ele será feito. Tudo estético, mas que deixa a experiência ainda mais prazerosa para o jogador.

Dica: É possível adquirir o sabre de luz duplo logo no começo do game, mas para isso, terá que ir até o planeta Dathomir e conseguir chegar até uma bancada que possui essa melhoria. É um tanto desafiador conseguir sem pegar o jeito com o jogo, mas é totalmente possível.

Bancada de Aprimoramentos do Sabre de Luz.

Mesa de Melhorias e Caixas de Colecionáveis

Durante a exploração encontraremos mesas para melhorias no BD-1. Não podemos escolher quais serão, já que elas vão de acordo com a necessidade da missão em que estamos. São melhorias que permitem ao BD-1 hackear equipamentos e caixas de colecionáveis, podemos usá-lo como rapel, entre outras coisas. Nesses momentos tem uma animação com o Cal realizando a melhoria e conversando com o robozinho.

BD-1 atualizado e Cal se fazendo de difícil para a foto (ele só estava olhando pro lado mesmo).

As caixas de colecionáveis, como eu as chamo, são caixas que possuem algum item especial para o Cal, BD-1, Mantis ou sabre de luz. Poderemos encontrar ponchos diferentes para o Cal, skins para o BD-1 e Mantis e “skins” para o sabre de luz, como: cores para a luz do sabre, materiais diferentes para a base do sabre, interruptores, etc. É uma parte interessante para a estética e com opções suficientes para a imersão no game. Podemos encontrar algumas caixas especiais que aumentam a quantidade de estimulantes que o BD-1 poderá fornecer ao Cal (acredite, você vai usar muitos).

Extras: Trilha Sonora, Bugs e Informações Extras

A trilha sonora desse game é excepcional. Tudo extremamente característico do universo Star Wars, contando com músicas dos filmes e músicas originais. O som ambiente é ótimo e contribui para aumentar a atmosfera do planeta que estamos. Tudo adaptado para cada lugar que visitamos. Um feito sensacional e que não poderia faltar em um jogo assim. Inclusive, a trilha conta com a participação da banda mongol The Hu, deixando a sua contribuição para a qualidade da trilha.

*Todos os créditos são do respectivo canal.

Bugs e Problemas

Com relação aos bugs, eu não presenciei muitos, mas o maior problema em relação, principalmente no PC, é na otimização. O game conta com muita queda de quadros, delay de renderização e pode acontecer de coisas surgirem do nada. De maneira geral, fiquei surpreso por não encontrar tantos bugs, além de alguns personagens enroscados em algum lugar, IA desligar e o stormtrooper não te atacar (se bem que é até bem fiel eles serem ruins). Usar o poncho faz com que as vezes dê uma bugada enroscando em alguma coisa, mas não fiz questão de usar por achar visualmente desagradável no Cal. No geral, nada que impedirá de progredir ou forçará ou restart no checkpoint ou no game (pelo menos não tive esse problema).

Uma coisa que eu achei bem interessante é o fato de podermos coletar echos. O que são echos? Durante a exploração, poderemos encontrar uma espécie de fumaça azul espalhadas pelo mapa. Ao pegá-las, Cal poderá ouvir o que aconteceu no local, como encontrar um altar com capacetes de stormtroopers e ouvir o que aconteceu naquele local. São vários echos que podem se complementar ou serem isolados. É bem bacana para sabermos mais dos eventos paralelos ou até mesmo da campanha do game.

Echo.

Informações e Detalhes

Assim como nos games do Batman: Arkham ou Marvel’s Spider-Man, teremos um menu com informações dos personagens. No caso de Jedi Fallen Order, teremos também informações sobre os planetas que exploramos, inimigos, tipo de inimigos (ao estilo bestiário de RPGs) e até mesmo informações do que fizemos e estamos fazendo na campanha. É um ótimo recurso que facilita na compreensão dos fatos e rever algo que deixamos passar batido.

Guia tático.

Como já mencionado anteriormente, quando estamos na Mantis, poderemos acessar um terrário onde ficará exposto as sementes que escaneamos nos planetas. Não tem muito o que fazer a não ser ver as sementes plantadas, mas é um ótimo detalhe e, como sabemos, detalhes fazem toda a diferença.

Terrário.

Conclusão

Star Wars Jedi: Fallen Order é um grande feito para a Respawn Entertainment e um acerto para a EA, que parece ter tido o mínimo de noção ao não entupir o jogo de microtransações igual os antecessores, surpreender os jogadores e principalmente para os fãs de Star Wars, que é um prato cheio. Uma história que não foge do clichê, mas agrada no desenvolvimento e carisma dos personagens. Uma ambientação fantástica e muito bem-feita, fauna e flora própria para cada planeta e imersiva. Tudo isso junto à um fator exploração alto, juntamente com colecionáveis e melhorias para tornar a experiência ainda melhor. Uma ótima jogabilidade e habilidades do personagem principal, junto à ótimas batalhas contra chefes (mirando em God Of War e Dark Souls). Com uma trilha sonora fantástica e de qualidade indiscutível. Apesar de não ter presenciado tantos bugs, o fator desempenho e otimização em relação ao PC deixam a desejar, com muitas quedas de frames e delay de renderização. De modo geral, eu considero um dos melhores, senão o melhor game de Star Wars que já joguei. Vale a pena jogar e é altamente recomendado para quem curte jogos desafiadores e para fãs de Star Wars é um título obrigatório.

Nota: 8,8/10.

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