Análise (Review) de The Serpent Rogue – Uma Expedição Pelo Desconhecido

Análise (Review) de The Serpent Rogue – Uma Expedição Pelo Desconhecido

14 de Maio, 2022 2 Por MrSuperFanMr

Ficha do Jogo:
Lançamento: 26 de abril de 2022.
Gênero: Aventura, Indie, Simulação.
Desenvolvedora: Sengi Games.
Publicadora: Team17 Digital.
Plataformas: Playstation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC – Computador (Microsoft Windows).
Tempo de Jogo: 8 a 15 horas (pode depender das habilidades do jogador).

Classificação Indicativa: +10 Anos.

Apresentação Inicial

The Serpent Rogue é um jogo indie de ação, aventura e de exploração. Apesar de apresentar uma ideia bastante replicada no mundo dos games, consegue aplicá-la de forma autêntica e com uma temática bastante curiosa. Seguindo a linha de games de exploração, indo desde Minecraft até clássicos de RPG, como Dungeon Siege, o jogo traz diversas mecânicas “clichês”, mas com suas próprias e criativas características. Tudo isso em um fantástico mundo mágico, em um período medieval, repleto de alquimia, domesticação de criaturas e exploração do sobrenatural.

Enredo

Assumimos o Guardião, alquimista em um mundo medieval, com o objetivo de salvar o reino da Corrupção. Uma energia maligna sonda nosso mundo e através da batalha pela sobrevivência e o auxílio da alquimia, devemos fazer a paz reinar novamente. Explorar, usar magias e formar uma comunidade para restaurar o mundo e reconstruí-lo.

Um mundo corrompido.

Como o jogo funciona?

A premissa é, teoricamente, simples. Precisamos explorar os cenários presentes no game e coletar itens para fazermos poções, construir armas e preparar comida. Apesar de ser simples de entender, não quer dizer que seja fácil de realizar. Já em termos de movimentação, podemos andar, correr (consome a barra de fome), pular, atacar e nos defendermos. Vale ressaltar que simplicidade não é sinônimo de má qualidade. Antes o simples bem-feito do que o complexo de baixa qualidade.

Logo no começo, poderemos escolher o sexo do nosso personagem. No entanto, não há nenhum tipo de customização ou coisa do tipo. Há como equipar o personagem apenas com itens estéticos durante o game, porém, nada muito profundo e, muito menos, complicado.

A estética é boa e agradável.

Mecânicas

Temos uma mesa de alquimia portátil, um inventário, uma casa (onde podemos pesquisar, fazer poções, cozinhar, armazenar itens no baú e dormir) e algumas opções de “bases” menores. Cada item que encontramos durante a exploração, possui um peso (que influenciará na jogabilidade) e uma “qualidade” para utilizarmos em poções. Como assim? Podemos encontrar alimentos, animais, inimigos, itens para fabricação de armas, poções, equipamentos em geral e estátuas para transformação. Essas “qualidades” nos itens servem para fabricarmos nossos itens de acordo com a especificidade. Por exemplo, para fazer a poção de vida, é necessário possuir um item de vitalidade e outros para combinação. Como descobrimos isso? Coletando os itens e os pesquisando. Sempre será necessário pesquisar uma certa quantidade de material para saber onde utilizá-los.

Sentar servirá para recuperar vida (desde que a barra de fome não esteja vazia).

Ainda é possível preparar receitas para preencher nossa barra de fome (serve como estamina). Podemos encontrar receitas espalhadas pelo mapa ou descobri-las com base em tentativa e erro. Caso faça uma mistura que não combine, os itens serão descartados. Se não encontrar nenhuma receita, basta observar as “qualidades” presentes nas poções ou similares para tentar deduzir como produzir. Podemos descobrir diversas combinações através da dedução e foi exatamente assim que segui durante o gameplay.

Como um ótimo cozinheiro, fazendo minha melhor receita!

Uma coisa bem bacana que o game apresenta é a possibilidade de forjar suas armas, equipamentos e poder aprimorá-los. Tudo no mesmo sistema visto até aqui, com base em receitas e dedução. Nesse ponto, é onde se assemelha à Minecraft, por exemplo. Para cortar uma árvore, é necessário ter um machado, para cavar, uma pá, etc. Uma dica importante é: faça uma espada para combates e evite utilizar outros tipos de ferramentas para isso. Vale lembrar que os itens podem ser destruídos, então use com cautela ou tenha material suficiente para produzi-los.

Minha Espadinha querida.

O game traz uma outra mecânica interessante que está associado à morte do personagem. Quando nossa vida acaba, evidentemente, podemos morrer. Para recuperar os itens, temos que ir até o local em que morremos para reaver nosso inventário, porém, caso morramos novamente, não será possível recuperar os itens. Será somente possível recuperar o que conseguimos após a recuperação dos itens.

Também é possível perder toda a nossa pele e ficar somente no osso (Restless). Quando isso ocorre, não podemos nos alimentar, não conseguimos correr e perdemos a estabilidade do nosso personagem. Ficamos mais fortes, mas mais frágeis. Para voltarmos ao normal, podemos fazer e consumir uma poção que nos tornará “vivos” novamente. Nesse caso, não ocorre uma morte efetiva e nossos itens continuam conosco.

O famoso Restless.

O stealth também faz parte das mecânicas que o game apresenta. Calma lá, não espere nenhum Hitman ou Splinter Cell da vida. É algo que te ajuda durante o game, mas só se estiver na moita (perdoai-me o trocadilho). Para ficarmos “invisíveis” temos que encontrar uma moita especifica para camuflagem. Com ela poderemos furtar os itens dos inimigos e animais. Nem sempre será eficaz e, ao realizar uma ação diferente, seja ela de coletar algum item no caminho ou descobrir algo novo, a camuflagem desaparece. Vale lembrar, que furtar inimigos poderá alertá-los, desse modo, a camuflagem desaparecerá e o combate ocorrerá.

Sim, você não consegue me ver!

Domesticação de Animais e Transformação

Encontraremos diversos animais espalhados pelo mapa. Assim como tudo no game, teremos que descobrir mais sobre cada um para podermos domesticá-los. Após se encontrar várias vezes com uma galinha e pesquisar sobre ela, poderemos saber do que ela gosta e como atraí-las. Cada animal poderá conceder itens para fabricação e poderá ser uma companhia na exploração (assim como os prisioneiros). Ter galinhas, por exemplo, poderá conceder ovos e nos renderá alimento. É essencial domesticar todo tipo de animal que conseguir.

Somente domesticar não teria graça, não é mesmo? Temos a possibilidade de encontrar algumas estátuas de animais espalhadas pelo mapa. Mas, isso serve para quê? Bom, podemos nos transformar em animais. Indo desde ser um forte e rápido lobo, até uma simples galinha ou um rato. Cada um concede habilidades únicas e formas de encontrar itens escondidos. Lembre-se, uma galinha não consegue carregar tanto peso quanto um ser humano, então sempre carregue apenas o essencial na bagagem.

Um grande e belo lobo solitário (ou um simples cachorro).

The Undertaker

O Undertaker é uma espécie de coveiro sombrio que está presente próximo ao acampamento, no cemitério. Lá, teremos uma espécie de base e uma árvore “corrompida”. A função do Undertaker é remover os cadáveres de animais ou pessoas que não são nossos inimigos (já que podemos agredir pessoas comuns). Ainda é possível ressuscitar alguém da nossa Party através dele dando uma certa quantidade de pás em troca. É um indivíduo comum, bastante intimidador, mas aparentemente, nosso aliado.

The Undertaker.
Retirar corpos e/ou ressuscitação.

O Navio Pirata

O Navio Pirata aparece diversas vezes de tempos em tempos e podemos encontrá-lo no píer. Lá, poderemos pagar uma certa quantia para libertar prisioneiros que irão nos ajudar em batalhas e povoar o acampamento. Os mais fracos são quase de graça (alguns são apenas uma moeda), os mais resistentes e com mais itens (isso varia), podem chegar a mais de oitenta moedas. São úteis? Depende do modo que está jogando e de sua estratégia. No geral, morrem com muita facilidade e irão apenas servir de isca para inimigos (vários morreram assim enquanto eu jogava e, os melhores, ressuscitava-os). Também é possível encontrar alguns itens no navio que serão úteis na produção.

Liberte estas pobres almas (que morrerão logo em seguida se deixar).

Mapa

O mapa é muito estiloso e apresenta uma ótima ambientação. O estilo de arte do game e os gráficos cel shading (3D que se assemelha a desenho) deixam a experiência bastante única e agradável. No menu do mapa é possível ver os aliados que estão em determinado local e realizar a viagem rápida até determinado local. No geral, é bem simples, porém, esteticamente bem criativo. Os locais no mapa são desbloqueados quando encontramos o local pela primeira vez.

O lindíssimo mapa. (Foto de divulgação do game)

Chapéus

Os chapéus serão desbloqueados quando cumprir os objetivos das conquistas do jogo. Poderemos customizar nosso personagem com diversos estilos de chapéus e que são puramente estéticos. Não é nada de outro mundo e surreal de incrível, mas é bem divertido ir atrás de desbloqueá-los. Um detalhe bastante bacana e que demonstra uma certa atenção aos detalhes.

Uma bela coleção de chapéus.

Problemas e Bugs

The Serpent Rogue não possui muitos problemas, mas apresenta diversos bugs. Quanto aos problemas, o jogo apresenta queda de quadros (FPS) com uma certa frequência e crashou duas vezes durante a minha experiência com o game. No quesito bugs, é bem comum o personagem ficar preso em algum objeto que não dê para sair. Aconteceu diversas vezes e eu precisei utilizar da gambiarra para escapar (pulando e torcendo para o personagem sair). Como o game não possui um sistema de salvamento manual, problemas com crash e bugs de personagem preso podem se tornar um problema. Esses pesares não parecem ser difíceis de serem corrigidos. Uma boa atualização já evitaria maiores frustrações futuramente.

Socorro! Estou preso entre as pedras.

Extras: Trilha Sonora e Falta de Legendas em Português

Alguma vez na sua vida você já se deparou com um game indie com trilha sonora a nível de The Witcher 3? Não? Então, aqui eu deixo registrado que esse game existe. The Serpent Rogue tem uma trilha sonora impecável e de altíssima qualidade. Boa parte do gameplay eu me sentia dentro do universo de The Witcher 3 através do sentimento e da emoção que a trilha traz. Sem dúvidas, um excelente trabalho e uma recomendação para ouvir separadamente.

Infelizmente o game não apresenta legendas em português. Por se tratar de um game de fabricação e exploração, a falta de uma legenda na nossa língua faz falta. A história é bacana e acaba ficando para trás para quem não tem um bom domínio da língua inglesa, uma vez que há muitas palavras pouco usuais até mesmo para o nosso vocabulário.

Conclusão

The Serpent Rogue é um jogo muito bom e possui muito potencial para o que promete. No geral, entrega uma boa e divertida experiência. Suas mecânicas são bem interessantes e desperta a curiosidade do jogador e instiga a explorar todos os locais com bastante carinho e atenção. Além de mecânicas criativas, o jogo traz gráficos diferenciados para o gênero, sendo de fato, incomum para games no estilo. Sua trilha sonora é impecável, sendo, sem sombra de dúvidas, o ponto mais alto que o jogo oferece. De forma alguma, desqualifica os outros pontos positivos (até porque não é um jogo de música). Seus problemas e seus bugs podem incomodar (principalmente se tiver o azar de tê-los), mas com uma atualização bacana, o jogo fica liso. É um jogo que vale a pena jogar e será divertido. Gosta do estilo? Dê uma chance que poderá ter boas horas de divertimento.

Nota: 7.6/10.

*O game foi jogado no PC, a partir de uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Team17; e todas as screenshots foram capturadas durante o gameplay.

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